





O BNDES afirmou nesta quarta-feira (04) que R$ 4,8 bilhões foram liberados em financiamentos pelo programa de renovação de frota chamado Move Brasil, do Governo federal. Esse programa foi lançado em 17 de dezembro do ano passado a partir da Medida Provisória 1328/2025 e destina R$ 10 bilhões de crédito para a aquisição de caminhões. Do montante negociado até agora, segundo o BNDES, R$ 106 milhões foram utilizados por caminhoneiros autônomos, em pouco mais de 200 operações financeiras. O valor corresponde a 2,2% do volume de crédito financiado e só 1% do dinheiro total disponibilizado pelo programa.
Maioria seminovos
Dos R$ 106 milhões negociados pelos autônomos, R$ 46 milhões foram utilizados para financiamento de caminhões novos e R$ 60 milhões para seminovos. Diferente das transportadoras, os caminhoneiros autônomos podem financiar caminhões seminovos, fabricado a partir de 2012.
Reunião com participação da CNTA
O balanço parcial foi divulgado durante reunião liderada pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) com entidades representativas da indústria e do transporte. A CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) esteve presente e pontuou dificuldades dos autônomos em aderir ao programa. A Confederação alertou para as altas taxas de juros como barreira para os autônomos e, na reunião desta quarta, retomou a sugestão já discutida anteriormente de buscar a redução dos juros a partir da utilização de recursos do Fundo Clima. A ideia, no entanto, foi praticamente descartada pelo governo. O MDIC alegou que há grande resistência para utilização do Fundo.
Desconto na entrega do caminhão para reciclagem
Pela regra do programa, o caminhoneiro e as transportadoras podem conseguir uma redução de cerca de 1,5% nas taxas de juros, segundo o MDIC, se entregar o caminhão velho para reciclagem. A CNTA alertou sobre a insegurança do caminhoneiro de se desfazer do veículo antigo, e, de fato, segundo o BNDES, nenhum autônomo aderiu a essa proposta. Entre as empresas, só houve entrega para reciclagem em apenas uma negociação. Questionado sobre isso, o MDIC reconheceu que essa redução não foi atrativa e afirmou que está trabalhando em “outros mecanismos” diante de um futuro novo programa de renovação de frota permanente. Diante desse anúncio, a CNTA questionou se a Medida Provisória será votada no Congresso Nacional – o que poderia ser um primeiro passo para criação de um programa permanente – mas o MDIC afirmou que o atual programa deve mesmo valer somente até maio, como previsto no início do programa.